O agronegócio é um dos setores mais importantes para a economia brasileira, representando cerca de 24% do PIB nacional em 2023. No entanto, ele também enfrenta desafios expressivos, especialmente no que diz respeito aos custos de produção. Entre eles, a energia elétrica tem um lugar de destaque e impacta diretamente a rentabilidade dos produtores e agroindústrias.
Quando comparamos o setor agrícola com a indústria, vemos que ele consome um percentual menor do total da energia do país — 5,4% do total, contra 40% do setor industrial. Ainda assim, a energia representa uma parcela significativa dos custos operacionais de negócios rurais, principalmente em atividades como irrigação, refrigeração e processamento de alimentos.
Nesse contexto, o Mercado Livre de Energia surge como uma alternativa estratégica para o agronegócio, pois permite que os produtores e agroindústrias tenham maior autonomia na compra de energia elétrica. No Ambiente de Contratação Livre (ACL), é possível escolher o seu fornecedor e negociar preços, prazos e outras condições contratuais, o que ajuda na redução de custos e traz mais previsibilidade financeira.
Aqui neste artigo, você vai entender como o Mercado Livre de Energia pode reduzir custos no agronegócio. Vamos falar sobre as vantagens e o passo a passo para fazer a migração, além de responder às dúvidas mais comuns sobre esse tema. Acompanhe!
Quais são as vantagens do Mercado Livre de Energia para o agronegócio?
Migrar para o Mercado Livre de energia pode ser muito vantajoso para negócios rurais. Conheça os principais benefícios!
Redução de custos
No mercado cativo, as tarifas de energia estão sendo constantemente reajustadas, muitas vezes sob influência de bandeiras tarifárias e custos de transmissão. Já no ACL, os consumidores podem negociar diretamente com os fornecedores, conseguindo contratos mais vantajosos e previsíveis.
Estudos da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL) indicam que a economia na conta de energia pode chegar a 40% depois da migração para o ACL, a depender do perfil de consumo da empresa e das condições do mercado.
Flexibilidade contratual
No Mercado Livre de Energia, os consumidores podem escolher fornecedores, definir prazos de contrato e optar por fontes de energia específicas, como eólica e solar. Essa flexibilidade permite uma gestão mais eficiente dos custos energéticos, além de facilitar o alinhamento do consumo de energia com as metas de sustentabilidade do negócio.
Gestão de riscos
Ao aderir ao Mercado Livre de Energia, as empresas agrícolas reduzem a sua exposição às oscilações tarifárias. Além disso, a possibilidade de firmar contratos mais longos ajuda a minimizar os impactos causados por crises energéticas e variações climáticas — que costumam influenciar a geração e a distribuição de energia.
O acesso às fontes renováveis e o Mercado Livre de Energia para o agronegócio
A produção agrícola causa um grande impacto ambiental, especialmente por causa do uso de insumos e combustíveis fósseis. Por isso, uma das formas de tornar o setor mais sustentável é a transição para fontes renováveis de energia, como solar, eólica e biomassa. No ACL, o acesso a essas fontes é facilitado, pois os produtores podem contratar energia exclusivamente dessas fontes.
Isso já é uma realidade para grandes empresas, que adotaram modelos sustentáveis investindo em autogeração e certificações de energia limpa para agregar valor aos seus produtos.
O Mercado Livre de Energia pode ser uma oportunidade de ultrapassar a concorrência
Em 2024, a Portaria 50/2022 ampliou as possibilidades de acesso ao ACL, pois permitiu que empresas com demanda inferior a 500 kW pudessem fazer a migração. Essa mudança regulatória representa um grande marco para o agronegócio, já que reduziu as barreiras de entrada e possibilitou que pequenos e médios produtores passassem a ter acesso aos benefícios de um modelo de contratação mais flexível e econômico.
Com essa nova regulamentação, o setor pode otimizar a gestão de custos e aumentar a sua participação no mercado. Isso abre uma janela de oportunidades pequenas e médias agroindústrias, que, ao reduzir os custos operacionais, podem obter vantagens competitivas. Além disso, a possibilidade de contratação de energia renovável ajuda com as metas de sustentabilidade, o que pode ser um grande diferencial competitivo.
Simulador do Mercado Livre de Energia
Passo a passo para agroindústria migrar para o ACL
Quer saber como migrar a sua empresa para o Mercado Livre de Energia? O primeiro passo é saber se ela está conectada em alta tensão, ou seja, se faz parte do Grupo A de consumidores de energia. Essa informação pode ser encontrada na conta de energia.
Como saber se a minha agroindústria pode migrar?
Além de verificar se a empresa está conectada à rede de alta tensão, também é preciso verificar se a instalação elétrica da sua agroindústria atende aos padrões exigidos pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), como a existência de sistemas de medição atualizados.
Caso não atenda, é possível fazer as adaptações necessárias.
O mais indicado é contratar uma consultoria especializada para realizar um diagnóstico completo do consumo atual e identificar possíveis pontos de melhoria. Essa avaliação também vai ajudar a determinar a viabilidade econômica da migração.
Resumo do passo a passo
Depois do estudo de viabilidade, esses são os próximos passos:
- escolher um fornecedor de energia: para isso, pesquise e compare ofertas, avalie a reputação de cada fornecedor e negocie condições específicas do contrato;
- formalizar-se junto à CCEE: a empresa deve fazer o registro junto ao órgão, que é o responsável por administrar o Mercado Livre de Energia;
- comunicar à distribuidora: em seguida, é preciso informar à distribuidora local sobre a migração e encerrar o contrato com o mercado cativo.
Depois disso, a sua empresa começará a operar no ACL. A partir de então, também será preciso:
- implementar sistemas de monitoramento: isso permite acompanhar o consumo em tempo real, identificar variações e ajustar os processos produtivos para otimizar o consumo;
- revisar contratos periodicamente: as condições de mercado e revisar os contratos permite fazer renegociações que tragam ainda mais economia;
- analisar indicadores de desempenho: acompanhar métricas como redução de custos, economia percentual e eficiência operacional garante que as metas de planejamento energético sejam alcançadas.
É possível também se tornar autoprodutor no Mercado Livre de Energia?
Sim! Além de migrar para o ACL, as agroindústrias também podem se tornar autoprodutoras. Investir em sistemas próprios de geração, como usinas solares, eólicas ou de biomassa, permite que a empresa suprima parte de sua demanda internamente. Essa estratégia reduz ainda mais os custos e, em alguns casos, pode gerar receita extra por meio da venda do excedente de energia.
A importância de contratar uma gestora para auxiliar no processo de migração
A transição de agroindústrias para o Mercado Livre de Energia envolve questões regulatórias e contratuais que podem ser bastante complexas, especialmente para produtores que não têm um grande conhecimento sobre o setor energético. Por isso, contratar uma gestora de energia especializada é importante, pois garante uma migração segura e eficiente.
A gestora de energia pode:
- assessorar na negociação de contratos;
- oferecer suporte técnico e regulatório;
- acompanhar o consumo de energia em tempo real, possibilitando ajustes rápidos na estratégia de compra;
- fornecer relatórios com análises periódicas.
Essa orientação especializada é especialmente valiosa para as agroindústrias, que muitas vezes operam com margens de lucro apertadas e não costumam ter uma equipe interna dedicada à gestão energética.
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