O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) é um dos principais indicadores do Mercado Livre de Energia, pois ele define o valor da energia elétrica no curto prazo. Desde 2021, o PLD varia a cada hora, o que pode impactar significativamente os custos dos consumidores livres — e por isso é muito importante adotar estratégias para lidar com as variações do PLD no Mercado Livre de Energia.
Com essas estratégias, é possível otimizar o consumo e mitigar os riscos financeiros.
Aqui neste artigo, você vai entender por que o PLD oscila e conhecer algumas formas para lidar melhor com essa variação, garantindo mais previsibilidade e maior controle de custos para a empresa. Acompanhe!
Por que o PLD horário apresenta volatilidade?
O PLD horário é o preço de referência da energia elétrica no Mercado de Curto Prazo. Ele é calculado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e reflete os custos da geração de energia nas diferentes regiões do país. Como o nome indica, esse valor é calculado para cada hora do dia seguinte.
Esse modelo de cálculo foi adotado em 2021 com o objetivo de trazer mais precisão para a precificação da eletricidade.
Com esse modelo de cálculo, o PLD passou a sofrer oscilações significativas devido a diversos fatores. Esses são os principais influenciadores da volatilidade do preço da energia:
- oferta e demanda: mudanças súbitas no volume de consumo podem impactar o preço;
- condições climáticas: chuvas, temperaturas extremas e seca nos reservatórios também podem afetar o preço;
- disponibilidade de geração: falhas ou paradas para manutenção nas usinas geradoras podem reduzir a oferta e elevar o preço;
- Custo Marginal de Operação (CMO): o despacho de usinas mais caras impacta diretamente o preço da energia.
O cálculo do PLD é realizado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e validado pela CCEE. Para 2025, esses são os valores máximo e mínimo:
- PLD mínimo: 58,60/MWh;
- PLD máximo estrutural: R$ 751,73/MWh
- limite máximo horário: 1.542,23/MWh
Mas, ainda que esses limites sejam controlados, essa regulação não elimina a volatilidade. Por isso, é essencial que as empresas que consomem energia no Ambiente de Contratação Livre (ACL) desenvolvam estratégias para lidar com essas oscilações.
Estratégias para lidar com as variações do PLD horário no Mercado Livre de Energia
Lidar com a volatilidade do PLS exige planejamento e a doção de estratégias inteligentes. A seguir, você confere algumas formas eficazes para otimizar custos e reduzir os riscos.
Atenção ao volume de energia contratada
A contratação de energia no ACL deve ser feita com cautela. Assim, o consumidor evita a exposição excessiva ao mercado de curto prazo e evita cometer erros. Um dos erros mais comuns é subcontratar energia e, depois, precisar adquirir volumes adicionais a preços mais altos, quando o PLD está elevado.
Para evitar que isso aconteça, é importante fazer uma análise minuciosa sobre a demanda de energia e o perfil de consumo do negócio, para que o contrato seja feito de acordo com as necessidades reais do negócio.
Simulador do Mercado Livre de Energia
Acompanhamento de preços
Monitorar os preços da energia é outra estratégia que ajuda a aproveitar os momentos de menor custo e evitar compras em períodos de alta de preços. Acompanhar as tendências vai ajudar você a tomar decisões mais estratégicas.
Para isso, você precisa:
- entender como comprar energia no ACL: entender as modalidades de compra e os prazos contratuais pode trazer mais previsibilidade;
- usar ferramentas de acompanhamento: softwares de inteligência de mercado ajudam a visualizar as variações de preços;
- fazer um acompanhamento regular: definir uma rotina de análise é a melhor estratégia para se antecipar às flutuações.
Tecnologia como aliada
A tecnologia pode ser uma grande aliada nas estratégias para lidar com as variações do PLD no Mercado Livre de Energia — e um grande diferencial para as empresas que desejam reduzir custos!
Veja algumas ideias de estratégias:
- usar plataformas de gestão energética: sistemas especializados ajudam no monitoramento de consumo e projeção de custos e de cenários futuros;
- automatizar o consumo: as empresas também podem implementar soluções para deslocar o uso de energia para horários de menor custo;
- integrar dados: análises em tempo real ajudam a fazer ajustes rápidos e tomar decisões orientadas por dados.
Atenção aos contratos
Os contratos no ACL podem ser estruturados de diferentes formas — e algumas modalidades são mais seguras em relação às variações bruscas do PLD. Saiba mais sobre os tipos de contratos:
- contratos de preço fixo: protegem contra as oscilações e garantem previsibilidade orçamentária;
- contratos híbridos: combinam a energia a preço fixo com volumes variáveis, para equilibrar riscos e oportunidades de economia;
- flexibilidade contratual: algumas cláusulas opcionais podem permitir a renegociação de valores em cenários extremos.
Contratação uma gestora de energia
Para as empresas que não têm uma equipe especializada na gestão de energia, contar com uma gestora pode ser a opção mais interessante para lidar com as variações do PLD no Mercado Livre de Energia. Esse tipo de empresa oferece suporte em todo o processo, desde a compra de energia atá a otimização dos contratos.
Uma gestora de energia pode ajudar a lidar com as variações do PLD:
- no monitoramento constante de preços: empresas especializados analisam o mercado e recomendam os melhores momentos de compra;
- na negociação dos contratos: as gestoras podem ajudar a obter as melhores condições contratuais, minimizando riscos;
- na assessoria personalizada: a empresa pode analisar o consumo do seu negócio e fazer recomendações personalizadas e estratégicas para otimizar custos.
Além disso, a contratação de uma gestora independente garante que as decisões sejam tomadas de forma imparcial, sempre considerando os melhores interesses do seu negócio. Aqui na Clarke, por exemplo, nós oferecemos soluções personalizadas para mitigar os riscos e otimizar o seu consumo no Mercado Livre de Energia.
O que é a estratégia de “shifting” de consumo e como ela funciona?
Uma das estratégias mais conhecidas para reduzir os impactos da volatilidade do PLD horário é o “shifting” de consumo, que consiste em alterar a demanda energética para os horários de menor custo. Para colocar isso em prática, o consumidor precisa:
- identificar os períodos de menor preço;
- redistribuir o consumo, ajustando os processos produtivos para concentrar atividades nos períodos mais vantajosos;
- usar tecnologias de armazenamento de energia, que ajudam a fazer o armazenamento em momentos de menor custo para uso posterior.
As empresas que adotam essa estratégia para lidar com as variações do PLD conseguem reduzir seus custos significativamente e tornar o seu consumo mais eficiente.
No Brasil, é uma estratégia semelhante a que alguns consumidores adotam ao concentrar o seu consumo fora dos horários de ponta, que apresentam uma tarifa mais cara em relação as demais horas do dia.
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